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07 abril 2013

Diz- Foi um dia sem fim.Talvez

Diz- São aves de barro 
Não vindas da mata 
 Mas,guardam a cúpula do céu 
 Todo em pedaços. 

 E a dor que tinge em corantes d'água 
 No dorso de fados obscuros 
 Se o silêncio canta,canta calado 
 Num pátio de cisnes mortais. 

 Diz- Foi um dia sem fim.Talvez 
 Quando os cabelos negros de Afrodite 
 Eram ornados e sempre desornados 
 Com lírios de vidro alvo. 

 E duas ou três sombras unidas 
 Ao clamor aceso da lenha 
 Revive a cor servil da brasa 
 Em pesados corações de argila. 

 Diz- Nunca o medo da rachadura 
Cega o olhar feroz do abutre 
 Tão voraz, nem a eternidade 
No auge do verão a voar. 

 Lembradas antão ao desamparo 
 As deusas unem o profano ao sagrado 
Com ecos soltos do passado 
 Em longos e longos abraços. 

 Diz-Assim chegam lagartos e florais 
 Nos arabescos de tantos agostos 
 Ou desgostos em nuvens baças 
 Sobre o talhe imóvel do herói. 

 Sabe o tempo oleiro e arte 
O celeiro do sol,o peso do luar 
 O porquê das avencas que se atam 
 Os pilares onde pousam aves. 


 Deborah Brennand

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